Muita Ironia e Pouca Vergonha na Cara

Blog do escritor Glauber da Rocha - agora, toda sexta!

15:14

A TRAÇÃO MANUAL.

Postado por Glauber da Rocha |

Eu tinha um pênis minúsculo, menor que o celular de última geração do sr. Johnson. Desde pequeno tive vergonha dele, principalmente depois da observação que uma amiga de minha mãe fez ao vê-la me dar banho: ei Neuza, o pingolinho de seu filho não vai crescer não? Não é melhor levar ele num médico, para ver isso?
Eu tinha dez anos de idade quando isto aconteceu. O efeito desta pergunta foi tão traumático que à partir de então nunca mais fiquei pelado na frente de alguém até conhecer a Patrícia e a dona Suzana.

* * *

Na adolescência, meu pênis continuava quase do mesmo tamanho quando deste triste episódio, apesar de passar uma boa parte do meu tempo esticando-o, para ver se o bendito crescia. Fazia isto enquanto estudava, trancado no meu quarto. Mas, de nada resolvia, e então parei.
Depois, conheci a Patrícia. Durante um ano de namoro não deixei ela nem encostar-se ao meu membro: sempre que ela ia com a mão, eu esquivava, pois tinha medo dela acabar o namoro por causa do tamanho. Até que finalmente, resolvi deixar. Patrícia pegou, riu, disse olha que bonitinho, e quando vi, já estava com ele dentro da boca.
Foi neste dia que perdi a minha virgindade. Ela gostou, e a partir de então, passamos a transar quase todos os dias. Contudo, era somente na frente dela que eu tinha coragem de me despir, e quando aparecia uma oportunidade de transar com outra garota, eu fugia.

* * *

Graças a Deus, apareceu a dona Suzana em minha vida, para reverter de uma vez por todas essa minha situação. Estávamos, eu e a Patrícia, na frente de casa, namorando. De repente, um carro importado parou e uma mulher loira, de olhos azuis, aparentando ter uns trinta anos, nos chamou, pedindo informação de uma rua ali no bairro.
Pedi para a Patrícia dizer mas ela se recusou.
Falei então:
– Você segue em frente duas quadras e vire à direita; depois, à esquerda, é ela.
– Ai moço... será que vou saber?
– Vai sim – eu falei, porque só se fosse uma burra para não saber.
– Você não quer me levar até lá? Eu trago você de volta. É rapidinho...
Olhei para a Patrícia e ela disse vai, Alfredo.
Fui.
Na volta, a dona começou a dizer que eu era muito bonito, e me deu o seu telefone. Coloquei-o no bolso, por educação, e disse: qualquer coisa eu ligo. Na frente de casa, saltei do carro rapidamente, quase me esquecendo de despedir-me.

* * *

De noite, na cama, antes de dormir, comecei a pensar na dona Suzana. Imaginei-a nua, fiquei excitado, peguei no meu pinto e comecei a mexer nele. Logo depois, fui me masturbando. Enquanto me masturbava, sofria com este conflito existencial: estou me masturbando por alguém que posso ter de carne e osso... E tudo isto por vergonha!
Assim que me dei conta disto, broxei. Revoltado, falei para mim mesmo: vira homem, Alfredo, e come essa dona!
Noutro dia liguei para a dona Suzana, e marcamos um encontro, na casa dela.
Fui.
Chegando, dei de encontro com uma mansão.
– A dona Suzana está? – perguntei, na portaria.
– Você é o Alfredo?
– Sim, sou eu.
– Entre. Ela está lhe esperando – disse o porteiro.
Entrei.
Vi um grande jardim, uma pequena rua que dava de frente à porta de entrada da casa dela; e, na frente dessa porta, ela, vestida com um roupão.
– Alfredo?
Me abraçou, pegou na minha mão e me levou direto para a sua suíte. Lá ela tirou o roupão e ficou nua. Olhei para o seu corpo e vi que estava tudo em ordem. Mesmo assim, não consegui ficar excitado, pois estava nervoso, a minha mão suava e meu coração batia mais forte do que quando jogava futebol de salão na escola.
– Não tenho o corpo de uma jovem? Peque aqui, nos meus seios, para você ver como eles são duros...
Peguei.
– Pegue na minha bunda, agora.
Obedeci.
Enquanto pegava em sua bunda, em seus seios e em sua coxa, ela falava: sou filha de italiana com francês; mas, a mãe de meu pai e a mãe de minha mãe eram negras; eu tenho sangue de negro; a minha pele jamais poderá ser esticada, tente esticá-las.
Tentei.
A pele dela escorria, escorregava.
– Não falei?
Quando vi, estava abraçado com a dona Suzana, lhe beijando. E, ainda assim, sentindo o seu calor, a sua segurança, o meu pinto não subia de maneira alguma. A dona Suzana percebeu, e para me deixar excitado, tirou a minha roupa.
Ao me ver nu, com um pinto do tamanho do pinto de uma criança de cinco anos de idade, ficou desanimada. Afastou-se, sentando na beira da cama, e me perguntou: por que você não me falou antes?
– Falou o que? – perguntei, já sabendo da resposta.
– Que ele é pequeno...
Nesse momento, tive vontade de sair dali correndo, mas nem isso consegui. Chorei, apenas. A dona Susana se apiedou e me chamou para o seu colo, tal como a minha mãe fazia quando eu era criança.
Fui, e com o calor de seu corpo, me dando um aconchego maternal, comecei a desabafar.
Falei para ela que nunca ficava pelado na frente dos outros, nem de garotas e piorou de garotos; que eu ficava pelado somente na frente da Patrícia, minha namorada.
Disse para ela que por causa do tamanho do meu pênis eu não freqüentava clubes de lazer, não ia à praia e odiava o inverno, pois no frio o meu pinto desaparecia. Contei-lhe também da vez que um colega abaixou as minhas calças no recreio da escola, e que todo mundo viu, principalmente as meninas, e que, a partir desse dia ganhei uma porrada de apelidos: piquinês, japa, minhoca, e etc.
Ao dizer isso, a dona Suzana riu.
Fiquei com raiva. Saí de seu colo, reclamando puxa vida, eu aqui abrindo o meu coração para você e você ri? Que mundo cruel!
Ela, no entanto, disse não estou rindo de você, seu bobo: estou rindo porque eu tenho a solução para o seu problema!
– Tem?
– Eu não. O sr. Jhonson, meu marido.
– Marido? – indaguei, apavorado.
– Não se preocupe, somos um casal aberto.
Fiquei mais apavorado ainda.
– Por que seu marido?
– Porque foi ele quem descobriu essa técnica, a de aumentar o pênis e dá-lo mais vigor, a fim de que o homem não goze em menos de uma hora – disse ela.
Fiquei ressabiado, e lembrei-me daquelas bombinhas em revistas pornográficas – não sei aonde, li ou ouvi dizer que aquilo causava uma impotência sexual desgraçada nos homens, irreversíveis.
– Não é bombinha, é?
– Nada! Melhor que isso. É uma técnica natural, chamada de a tração manual!
E me explicou.
Disse que quando o homem tem ereção, o sangue segue para três partes do pênis. Quem segura esse sangue é o corpo cavernoso, os quais só podem encher de acordo com o tamanho do pênis. Aumentando portanto esse corpo cavernoso, aumenta-se também o membro masculino. Para isso, basta aplicar a tração manual nele, e logo o pinto do cara se transforma num cacete de dar inveja.
– E sobre o cara ficar mais de uma hora sem gozar? – perguntei.
Disse ela: ao redor do ânus existe um músculo chamado púbeo-coccígeno. Quando o homem tem um orgasmo, ele se contrai repetidas vezes. São essas contrações que joga o esperma para fora, através do canal uretral. A maioria dos homens tem esse músculo pouco desenvolvido, e o resultado disso são ereções medíocres, ejaculações precoces, baixo vigor sexual. Assim, se exercitá-lo, ele ficará mais forte, facilitando a ereção e o controle ejaculatório.
– Posso-lhe mostrar esse músculo? – disse a dona Suzana, após essa explicação.
– No meu cú ninguém toca! – falei.
– Deixa de ser machista, Alfredo. E não é no seu cú, é ao redor de seu ânus...
– E não é a mesma coisa?
– Não. Deite aí. Vou mostrá-lo.
Deitei, de barriga para cima, é claro. Ela então colocou a mão em meu músculo púbeo-coccígeno, e meu pinto endureceu. Tive medo de ser um veado gazela, com isso.
– Se fosse um homem passando a mão aqui tudo bem, até concordo que você poderia ser um veado, Alfredo – disse ela, me aliviando – e; apertando o meu músculo púbeo-coccígeno, falou: sentiu?
– Senti – eu disse.
– Tente apertá-lo.
Apertei.
– Agora aperte trinta vezes.
Apertei trinta vezes.
– Gostou do exercício?
– Gostei.
– Vou ter dar o livro que meu esposo publicou. Nele contém vários exercícios para o aumento peniano e para o controle ejaculatório. Te dou seis meses no máximo para você ficar com um cacete enorme e com um vigor sexual de deixar qualquer mulher louca por você – disse ela, indo de encontro ao livro, que estava dentro da suíte deles.
– Toma, é teu, Alfredo.
Peguei o livro e fiquei olhando para ela com aquele olhar de quem pergunta: e agora? Mas a dona Suzana, em sua sabedoria, fingiu não me compreender. Vendo que por ela tudo estava acabado, mendiguei por outro encontro.
– Só se o seu pinto se transformar num enorme cacete.
Me imaginei com um pênis enorme, quando ela disse isto. E perguntei:
– De quantos centímetros?
– No mínimo dezoito.
– Dezoito?! – eu chiei.
– Sim, Alfredo, no mínimo dezoito...


* * *


Voltei lendo o livro dentro do ônibus. Os exercícios eram da seguinte maneira: primeiro, o alongamento; em seguida, a compressa quente; depois, a lubrificação e finalmente a aplicação manual, que deve ser finalizada com outro alongamento e com outra compressa quente. Em casa, a primeira coisa que fiz foi ferver um pouco de água e me trancar no banheiro. Com o livro em cima da pia, comecei o alongamento, esticando o pênis por dez segundos e soltando-o.
Fiz isto dez vezes, para depois pegar o pênis e rodá-lo dez vezes para direita e dez vezes para a esquerda. Quando acabei, meu pênis estava flácido, semi-ereto. Peguei uma toalha de rosto, embebi-a na água fervendo e a envolvi sobre o pênis e o escroto. Senti queimar a minha pele mas não recuei, seguindo as instruções do livro. Só vi a minha careta na frente do espelho, gemendo de dor.
Levei dez minutos nesta compressa. Depois, peguei um lubrificante que tinha ali e passei em todo meu membro. Agora estava pronto para aplicar a tração manual! Sentei-me no vaso sanitário, e enquanto apertava com uma mão a base do pênis, fazendo um sinal de ok, com a outra eu ia ordenhando. Fiz umas trezentas ordenhadas, o pênis ficou grande, trabalhado, e então fiz as poderosas esticadas, o extensor de cumprimento, os aperto e flexões e etc., e etc...

* * *

A Patrícia morava numa edícula no fundo da casa que ficava bem de frente à minha. Pagava aluguel, ou melhor, eram os pais que arcavam com as suas despesas, visto que ela veio para a capital porque na sua cidade não havia curso de psicologia. Só estudava, nada mais.
Nessa época, eu não fazia curso algum, nem estudava, porque trabalhava para ajudar em casa. Quando nos vimos, logo começamos a conversar, e fiquei apaixonado por ela, namoramos e fomos para cama, como o leitor já sabe.
Apesar dela dizer que gostou de transar comigo, ainda assim tinha lá as minhas dúvidas. Inseguro, sempre perguntava para ela entre uma foda e outra: você gostou? De tanto fazer esta pergunta, um dia a Patrícia se aporrinhou e disse: porra, Alfredo, você acha que estaria transando contigo se não gostasse? É claro que eu gosto! Na verdade, eu amo! Você é gostoso, sabia?
– Mesmo com o pinto pequeno?
– Mesmo.
Para a Patrícia, graças a Deus, tamanho não era documento...


* * *

Passei a aplicar a tração manual todos os dias da semana, exceto no domingo, que tirei para o descanso. No começo, qualquer coisinha dava vontade de gozar, eu forçava o músculo púbeo-coccígeno, mas a porra saia que nem água da mangueira do corpo de bombeiro. O pênis, para ajudar, não crescia um centímetro se quer, e fui desanimando. Mas, um desejo enorme de comer a dona Suzana foi crescendo, e eu fui me motivando, fazendo com esforço os exercícios, e logo, logo aprendi a segurar o gozo, meu pau foi aumentando, ganhou força e vigor.
A Patrícia, com estes meu ganhos, acabou não gostando. É claro que no começo ela nem notava diferença; entretanto, depois que passei a controlar mais as minhas ejaculações, ficando às vezes duas horas em cima dela, a Patricia passou a reclamar. Havia vezes que ela, cansada de tanto ser fodida, parava no meio da foda e reclamava, dizendo que havia algo de errado comigo. Eu dizia que não, que se ela dissesse isto antes, há uns dois meses atrás, até que concordaria: não, não há nada de errado comigo, eu disse. Patrícia acreditou, mesmo desconfiada; contudo, semanas depois, não teve mais como enganá-la: num dia, quando no começo de uma foda a Patrícia estava com pênis nas mãos antes de levá-lo à boca, ela disse:
– Alfredo?
– Que é?
– O seu pinto está maior?
– Impressão sua – falei.
– Ele está ficando maior sim! O que você anda fazendo, Alfredo?
– Nada.
– Como nada? Deite aí na cama, para eu ver.
Deitei, de barriga para cima.
– Está vendo? Antes ele não alcançava o seu umbigo, agora, ele ultrapassa...
– Sempre alcançou. Você que nunca viu...
Por um instante, quase consegui fazer a Patrícia acreditar. Mas, como quem tem intuição, ela protestou:
– Você vai me dizer o que anda fazendo, porque se não eu termino o nosso namoro agora!
– Não ando fazendo nada!
– Como nada? Antes não doía, agora a dor está insuportável! Se você não parar já com o que anda fazendo, nunca mais transo contigo! – disse ela.
Ouvindo isso, entrei em desespero. Passei por um dia inteiro pensando sobre essa ameaça, e decidi continuar os exercícios, porque queria por toda lei comer a dona Suzana – esta minha vontade, caro leitor, já havia virado uma grande obsessão! Enquanto isto não acontecia, fugia da Patrícia, a fim dela não saber que eu estava continuando...


* * *

Assim que alcancei os dezoito centímetros eu fui à casa da dona Suzana. Ela, traindo a sua promessa, disse que só iria para cama comigo se meu pau ficasse pelo menos um centímetro maior que o de seu marido, o Sr. Johnson. Protestei, mas não teve acordo: era pegar ou largar. Peguei; contudo, com uma única condição: que eu pudesse visitá-la quando quisesse, mesmo não tendo os vinte e um centímetros que ela queria.
Ela me pediu uma boa razão para aceitar a minha proposta e eu disse: preciso vê-la, para não perder a motivação. Dona Suzana aceitou, e eu passei a freqüentar sua casa quase todos os dias. Foi quando acabei conhecendo o sr. Johnson. Ele estava de viagem este tempo todo, a trabalho, divulgando o seu livro: a tração manual. Não foi com a minha cara, e logo vi que o papo de casal aberto era furado, coisa que só funciona na Internet.
Nos primeiros dias depois de me conhecer, ele me tolerou. Mas com o tempo, ele começou a pegar pesado. Primeiro, foi desqualificando a minha posição social e cultural; depois, chegou a falar em crueldades de maridos ciumentos; e finalmente, perguntou meu preço. Eu falei que não tinha preço e ele me ofereceu dez mil para cair o fora. Porque ainda não havia comido a dona Suzana, neguei.
– Você já não está com o pau grande? – disse ele.
– Estou, mas a obra ainda não está pronta.
O sr. Johnson, ao ouvir isto, balançou vagarosamente a cabeça, e vendo que eu estava convicto, começou a discursar:
– Eu sei por que você diz isso... A Suzana me contou. Falou que só vai transar com você depois que você tiver um centímetro a mais que o meu. Mas sabe de uma coisa? Eu havia parado de fazer meus exercícios, mas só porque a Suzana te pediu para ter o pau maior que o meu eu voltei. Agora, se você tiver vinte e um eu terei vinte e dois. Se você tiver vinte e dois eu terei vinte e três. Se você tiver trinta, terei trinta e um, trinta e dois, setenta centímetros se for o caso, mas não deixarei você me deitar com ela!
Eu senti o peso da ameaça, me vi com um pinto maior que o do Kid Bengala, por pouco me deixei ser convencido, entretanto, eu queria comer a dona Suzana a todo custo, devido a minha obsessão que naquele momento não devia ter mais cura.
– Quer saber? – disse para ele: – foda-se você!
Ficou com raiva, mas se conteve. Depois, num tom de voz mais calmo, apelou para a sua descoberta.
– Sabe, Alfredo....Você pode até ser um cuíudo... mas jamais será um homem como eu.... E sabe por que? Porque eu fiz um grande bem à humanidade.... Você sabe o que é isso, humanidade?
– Sei.
– Pois então... Que grande bem você pode fazer à humanidade, hã? Nenhum! Nem estudar você estuda... Então... eu serei melhor do que você sempre... entendeu? Sempre...
– Entendi – falei, dando de ombros.


* * *

A minha obsessão pela dona Suzana foi colocada à prova. Foi a Patrícia a responsável por isso. Depois de um mês fugindo dela, ela conseguiu me pegar. Fomos para cama; e ela, ao reclamar mais uma vez que estava doendo, me obrigou a contar tudo.
Não sei por qual motivo, se porque estava decepcionado ou louco, resolvi falar tudo o que estava acontecendo comigo.
– Aquela dona do carrão? – disse ela, pasma.
– Sim, ela mesma.
– E vocês já transaram?
– Não.
– Que pergunta idiota a minha... É claro que transaram!
Expliquei à Patrícia porque ainda não havíamos transado, mas ela não acreditou, achando esta minha estória inverossímil de mais.
– É a mais pura verdade! Ela me disse: Alfredo, só quando você tiver um pau com um centímetro a mais que o de meu marido que vamos transar!
– Não acredito Alfredo. Não tenho vocação para burra, nem muito menos para corna...
Fiz silêncio, pensando sobre toda essa situação. Por fim, quebrei o silencio e perguntei para ela:
– Você me ama, Patrícia?
– Te amo.
– Então se você me ama, deixe-me transar com ela só uma vez! Eu lhe imploro. Não a amo, mas não conseguirei viver sem fazer isto!
– Nunca! – disse ela – E fique sabendo: se você for mais uma vez lá, está tudo acabado!
Ao ouvir isso, vi que tinha que me decidir. Para não enganá-la, falei:
– Está bem, então está tudo acabado...


* * *

– Você conseguiu, Alfredo, está com um centímetro a mais que o meu marido – disse a dona Suzana, dias depois.
– Então agora podemos ir para cama – falei.
–E se eu não quiser? – falou ela.
Esperando pelo pior, eu disse comigo mesmo: se você disser que não quer, eu te como à força, mas não fico na vontade.
– Mas eu transo! – falou-me.
Isto me deu uma alegria dos diabos: Sr. Johnson? Você perdeu...
– Vem, me coma, me foda com esse pau grande, seu pausudo! – disse ela.
Tive uma ereção fodida. Mas, ao ir para cima dela, lembrei da Patrícia: enquanto esta me amava de verdade, a dona Suzana só queria sexo, e estava tudo consumado.
Peguei as minhas roupas e comecei a me vestir.
– Onde você vai?
– Embora.
– Por quê?
– Porque não sou uma máquina de fazer sexo. Não sou um produto de laboratório. Eu sou o Alfredo, que ama a Patrícia, entendeu bem?
– Não, não entendi. Você não pode fazer isto. Volte aqui, seu mal agradecido!
– Vai a merda – falei, saindo do seu quarto.
Ela veio atrás. Desceu as escadas e desistiu de mim assim que saiu pela porta da frente de sua casa. O Sr. Johnsons estava ali parado, me olhando. Lá fora, ao passar pelo portão, ainda pude ouvir ele dizer:
– Viu o que dá, Suzana, fazer o bem para os outros?...
Na rua, só pensava na Patrícia. Peguei o ônibus e voltei para casa. Estava quase de noite. Quando cheguei, fui direto para a edícula da Patrícia. Um rapaz abriu a porta. Entrei, perguntando por ela.
– No banheiro.
– E o que você está fazendo aqui?
– Estou ficando com ela – disse-me.
Olhei em volta, e vi um litro de vinho em cima da mesinha que ficava na frente da televisão. Vi duas taças cheias.
– Estão tomando vinho, é?
– Vamos começar, se você cair o fora – falou ele.
Ao ouvir isso, dei um soco na parede.
– Ir embora?! Você sabe com quem está falando?!
– Não, não sei.
– Você está falando com o homem que paga o aluguel desta edícula, entendeu?
– Você é o pai dela?
– Que pai porra nenhuma!
– Ela disse que é o pai dela quem paga!
– E você acreditou? Que ingênuo você... É isso o que dá acreditar nas mulheres... Quantos anos você tem, garoto?
– Dezoito.
– Quer passar disto?
– Quero.
– Então vaza, moleque! Porque se não te dou um tiro! – falei, blefando.
O cara assustou, e apavorado, saiu correndo. Sentei-me no sofá, e peguei uma das taças de vinho. Bebi um gole. Depois, falei que nem o sr. Johnson:
– Esses moleques pensam que são alguma coisa... Que bem eles podem fazer à humanidade? Que bem?
A patrícia apareceu.
– Cadê o Ricardo?
– Que Ricardo?
– O cara que estou ficando.
– O cara que você está ficando sou eu, seu namorado – falei me levantando, para pegá-la à força.
Patrícia tentou resistir, mas logo cedeu. Quando vi, estava me beijando como antes.
– Não transei com ela – falei.
– O quê?
– Isso mesmo, não transei. Na hora h, lembrei-me de você, do seu amor por mim. E daí eu disse para a dona Suzana: dona Suzana, vai à merda!
– Você fez isso?
– Fiz!
– Então diz que me ama.
– Eu te amo.
– Me dá um beijo.
Beijei-a, e senti as lágrimas da Patrícia em meu rosto. Depois, fomos para cama, amarmo-nos como antes, e felizes como no princípio...

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