PODE não parecer, mas sou um homem romântico. Tudo o que faço, faço visando o final feliz. Está certo que a maioria delas não entendem – as que entendem vivem mil vezes mais felizes, porque compreenderam o mistério dos homens... De todo modo, entendendo ou não, faço o que deve ser feito, de acordo como a vida é. Então, quando começam reclamar que não dou flores, logo falo para elas:
– Quer flores? Por que não planta? Olha o tamanho do quintal... É só ir lá na floricultura, comprar sementes, e plantar... Fácil, não? Se quiser o dinheiro, toma aqui...
– Grosso – dizem as que não entendem...
Não sou grosso, sou romântico. Faço tudo pelo final feliz. Até faço questão de comprar as sementes, se elas ficam muito aborrecidas. E ainda as rego diariamente, se for o caso! Mas o que não faço é comprar um buquê para elas enfiarem o nariz na vaidade! Não compro, não compro, não compro – exceto no aniversário delas e no dia dos namorados...
Faço quase o mesmo quando elas começam a pedir elogios em excessos. Digo em excesso porque é assim mesmo, literalmente. Tem dias que não basta dizer que elas estão lindas: tem que jurar de pé junto! Eu vou me cansando, não me sujeito, não me subordino. Pode ser a mulher que for! Eu vou ficando com raiva, ando de um lado para outro, respondo mal, grito – e quando vejo que ainda não foi o necessário, digo:
– Quer que eu compro um cachorro para ficar lambendo teus pés? Eu compro! Compro até dois. E da raça que você quiser... Você quer um Poodle? Eu te dou um Poodle... Você quer um Yorkshire Terrier, eu te dou um Yorkshire Terrier... Até um Briard eu te dou, se for o caso...
– Seu bruto!
Não, não sou bruto: sou romântico! Não vou passar a minha língua no desinteresse dela... Deixo que os cães façam isto por mim. E até adestro os amiguinhos! Ensino-lhes: cãozinho, quando fulana ficar carente, precisando de elogios, vai até o pezinho da madame e lambe! Lambe-o devagarzinho, para ela sentir-se importante! Mas, cãozinho querido, não se ilude: você nunca passará disto, de cãozinho! E não se espante se um dia ela te trocar por um outro, por um outro que não lhe lambe o lindo pézinho...
Glauber da Rocha.
– Quer flores? Por que não planta? Olha o tamanho do quintal... É só ir lá na floricultura, comprar sementes, e plantar... Fácil, não? Se quiser o dinheiro, toma aqui...
– Grosso – dizem as que não entendem...
Não sou grosso, sou romântico. Faço tudo pelo final feliz. Até faço questão de comprar as sementes, se elas ficam muito aborrecidas. E ainda as rego diariamente, se for o caso! Mas o que não faço é comprar um buquê para elas enfiarem o nariz na vaidade! Não compro, não compro, não compro – exceto no aniversário delas e no dia dos namorados...
Faço quase o mesmo quando elas começam a pedir elogios em excessos. Digo em excesso porque é assim mesmo, literalmente. Tem dias que não basta dizer que elas estão lindas: tem que jurar de pé junto! Eu vou me cansando, não me sujeito, não me subordino. Pode ser a mulher que for! Eu vou ficando com raiva, ando de um lado para outro, respondo mal, grito – e quando vejo que ainda não foi o necessário, digo:
– Quer que eu compro um cachorro para ficar lambendo teus pés? Eu compro! Compro até dois. E da raça que você quiser... Você quer um Poodle? Eu te dou um Poodle... Você quer um Yorkshire Terrier, eu te dou um Yorkshire Terrier... Até um Briard eu te dou, se for o caso...
– Seu bruto!
Não, não sou bruto: sou romântico! Não vou passar a minha língua no desinteresse dela... Deixo que os cães façam isto por mim. E até adestro os amiguinhos! Ensino-lhes: cãozinho, quando fulana ficar carente, precisando de elogios, vai até o pezinho da madame e lambe! Lambe-o devagarzinho, para ela sentir-se importante! Mas, cãozinho querido, não se ilude: você nunca passará disto, de cãozinho! E não se espante se um dia ela te trocar por um outro, por um outro que não lhe lambe o lindo pézinho...
Glauber da Rocha.



