Ontem resolvi fazer uma faxina na minha caixa de e-mail’s – como, aliás, venho fazendo com tudo em minha vida... Tal tarefa me custou à tarde inteira, visto que faz mais de anos que mantenho este endereço, o glauberdarocha@hotmail.com. (Se quiser, meus leitores, podem enviar e-mail’s para mim, eu não ligo...)
Excluindo tudo o que não me era útil, e lendo alguns, fui recordando os tempos, tal como acontece quando vemos fotos ou quando mexemos nas caixas em que guardamos nossos pertences há algum tempo. Foi muito boa essa experiência, ótima. Lembrei-me de amigos, de tarefas em que estava envolvido, da época da universidade, das minhas tentativas em entrar no Mestrado e publicar meus livros por uma grande editora.
Mas não é sobre isto que quero relatar aqui. O que me faz escrever sobre a minha caixa de e-mail é o fato de me deparar com algumas mensagens verdadeiramente engaçadas, de situações cômicas em minha vida. A primeira delas, talvez a mais hilária, é de uma garota que eu estava ficando há uns seis anos atrás. A encontrei na universidade onde ela estudava, tinha acho que dezessete anos e era virgem. Eu a levava para um dos quiosques do campus, num lugar bem escuro, e lá começava toda a brincadeira que todos nós gostamos.
Num dia, ela se entregou de corpo e alma às minhas carícias, e de repente teve um pulo. Fechou as calças, abaixou a blusa e me mandou guardar meu membro querido. Ela voltou para sala de aula e eu voltei para casa. No outro dia, ao abria a minha caixa de e-mail, vi uma mensagem sua:
Olá....td bem???? Só quero saber uma coisa,posso??? É pra me mandar a resposta
viu!!!! É o seguinte....qd vc estava todo empolgado....pq vc sabe q eu não gosto
q seja pra frente entende....eu só queria saber se a gente transou pq eu tenho
certeza q não transamos neh??? Entendeu oq eu quis dizer???? Vc quer algo comigo
mesmo???? Se quiser, vai ter q me respeitar em relação ao que eu falei, de vc
não fazer aquilo q vc fez ontem, blz???? Combinado???? Eu quero mto te ver sim,
mas c/ essas condições....entendeu???? Me mande a resposta no meu e-mail, eu
aguardo a sua
mensagem.....
Bjos da Vanessa
Lembro que tive a vontade de dizer que sim, que transamos, que ela não era mais virgem e que aonde passa um boi passa uma boiada; entretanto, por questões burras, bem burras, resolvi respeitar a integridade física e moral da moça; e não só isto: que ela merecia perder a virgindade em um lugar e circunstâncias mais... mais... românticas!
Eu disse isto, leitores!
E o que eu ganhei? Que só iríamos transar quando casássemos!
Outro e-mail engraçado foi a de uma escritora que conheci na web. Quase todos os dias trocávamos e-mail. Eu mandava meus textos e ela os delas. Discutíamos sobre isto. Falávamos um do outro e estava rolando até um clima bem romântico – veja eu de novo com essa minha doença chamada romantismo! Num dia, ela me pediu um encontro. Disse que sim, mas o problema era que a tal escritora morava em São Paulo, bem longe de mim. Fui adiando o encontro, até ela entrar numa de que eu era FAKE. Veja um de seus últimos e-mail’s:
(...) Posso te garantir que foi com muita atençao e carinho que fiz meus
comentários aos seus textos, e também é sempre com muito prazer que eu dialogo
sobre literatura. Minhas cronicas jornalísticas nunca chegaram aos pés do que
hoje entendo por literatura, mas de um certo modo sinto que eu sempre respirei
literatura e as personagens sempre fizeram parte da minha vida, desde a minha
adolescencia, quando eu brincava de ser escritora.
Hoje, como crítica
literária que sou, tenho uma postura séria de pesquisadora, estudo todos os
dias, mas no fundo o que me dá mais prazer é brincar com as idéias e redescobrir
o mundo pelo olhar lúdico da literatura. Eu amo literatura e quando encontro uma
pessoa louca, como eu, que tenha essa mesma paixão literária, sinto-me muito à
vontade para conversar. Mas você, inteligente que é, deve entender que nao dá
para ficar batendo papo com um estranho, para sempre, e deixar fluir assim uma
amizade. Talvez para você, que é homem, isso seja normal, mas para mim não é.
Então as minhas razões, regras, como você diz, são essas
mesmo!
Mas saiba que eu também sinto falta de conversar com você,
pois temos afinidade!
Nem sei quem você é, mas eu gosto de você. Só que não
dá para continuar com isso.
Entende? Espero que sim. E quando quiser vir
aqui, será um prazer te conhecer.
Tentei reverter a situação, mandei-lhe e-mail’s tentando provar que eu era eu, mandei meu CPF RG e tudo mais; mas, não teve acordo: para ela eu não passava de um golpista ou sei lá o quê! Então, como último golpe de misericórdia, resolvi marcar o nosso encontro. Eu estava com dinheiro para comprar um notbook, mas estava disposto a não perdê-la de maneira alguma. O notbook que esperasse mais um pouco. Entretanto, olhem o que ela me mandou:
Não vai dar, Glauber
Eu não te conheço, mas saiba que seu IP já está
rastreado no meu computador.
Estou ficando fera em "crimes da Internet" e
processos judiciais virtuais.
Não quero conhecer você e não acredito em nada
do que você diz.
Adeus.
Abraçao!
Que coisa, não? Ainda escrevo com mais calma sobre isto. Quanto a vocês, leitores, podem me mandar e-mail’s. Se acabar com alguns desses, vocês correm a chance de acabarem em livro, ou em blog, como elas acabaram...


